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domingo, 3 de agosto de 2008

Diário de Africa "minha" - Parte 2 - Luanda - Lobito

Depois de 4 horas de alguns pesadelos e muitas preocupações com picadas de mosquitos acordei para a viagem que me iria levar para o Lobito, o 1º destino do meu trabalho. Às 6h.30h partimos de carro e 8 horas de viagem se seguiriam. De entre estradas perigosas embora em bom estado e condução a 160km/hora, vi paisagens lindíssimas e marcantes, as típicas arvores da savana, os catos, palmeiras, toda a vegetação particular de Africa, de forma tão rica…nunca tinha visto nada igual. Já tinha ido a cabo verde mas pouca vegetação havia, aqui é por demais, ainda em tempo seco (Inverno) há muita vegetação. Claro que a paisagem natural é rapidamente rasgada pelas pequenas aldeias inóspitas e incolores onde vivem milhares de africanos em condições sub-humanas. As habitações são feitas de cimento feito da areia vermelha tão característica deste lugar ou de betão cinza. São quatro paredes cobertas com um tecto de lâminas de alumínio seguras por pedragulhos. É uma imagem surreal, triste!!!

Durante todo o percurso somos abordados com pessoas à beira da estrada a segurar galinhas acima das suas cabeças, para que os condutores as possam ver e parar a tempo de as comprar; ou crianças com peixes na mão, a vender fruta, carvão, doces. Vêem-se muitas crianças e mulheres nas estradas a tentar comercializar o que podem. Não se vê ninguém a parar…

Depois de 300km e de 3horas e meia de enjoo parámos no Sumbe, uma cidade pobre como a maioria, e à beira mar. Aí parámos para reabastecer o depósito e para almoçar num restaurante muito simpático na praia. Comemos garoupa grelhada. O dia estava enublado, muito húmido como é normal sentirmos, para os angolanos é um período frio e seco. Com temperaturas a rondar os 22-25 graus, é ainda assim difícil respirar fundo.

Prosseguindo em viagem pudemos ver outro tipo de aldeias, aldeias segundo os conhecedores, típicas africanas, em que as casas são feitas de paus, areia e pedra e de vegetação…não fiquei a saber concretamente se a vegetação tornava a casa impermeável às chuvas, mas calculo que não. As pessoas, sobretudo crianças e mulheres estão sentadas, quase inertes, sem grande actividade…

Embora se vejam muitas crianças nas ruas, muitas mesmo, é raro verem-se idosos, talvez a pessoa mais velha que tenha visto, me tivesse parecido ter 50/60 anos. Depois de algumas perguntas e respostas fiquei a conhecer a esperança média de vida dos angolanos, apenas 40 anos. Tudo se explicou rapidamente.

Entrámos finalmente no Lobito, uma cidade no litoral, com um subúrbio demasiado danificado, quase insuportável! Impossível não sentir um aperto no coração…parece que à medida que o dia passava as imagens eram cada vez piores…embora quisesse manter a minha postura de turista aventureira e fiz um esforço por sorrir com todos os neurónios activos…fui-me abaixo, olhei em frente para a estrada desejando passar rapidamente por aquele cenário, que sinceramente me fazia lembrar imagens de aldeias do médio oriente recentemente bombardeadas…fazia-me lembrar o Afeganistão…aquelas terras sem cor, com pó e pedra, casas quadradas, esburacadas e em ruínas…ao olhar para trás vi distanciar-se de mim esse aglomerado de vidas e forcei-me a olhar para a frente, uma cidade pequena velha, mas com o mínimo dos mínimos de condições. Rapidamente saí do carro e entrei no hotel 3 estrelas Navegantes. Depois de tudo o que vi, estas 3 estrelas são 5 na minha mente. Não poderia pedir mais, estou muito bem. Daqui a duas horas é tempo de jantar e depois irei preparar o trabalho da semana, a avaliação psicotécnica de candidatos dos caminhos de ferro. Vai ser muito interessante.

Diário de Africa "minha" - Parte 1 - a viagem

Surgiu a oportunidade de ir fazer um processo de selecção RH para os caminhos de ferro de Lobito, Lobango e Luanda em Angola... 5 semanas desafiantes com muito trabalho pela frente.

São 14.44h, liguei o computador após ver um filme no ecran da classe executiva do avião…o ambiente é de silêncio, as luzes estão desligadas e um outro filme passa no écran para entreter aqueles que não conseguem dormir durante este voo de 7 horas.

(executiva??? eina estamos a viver bem... vejam como tudo começou...)

Após uma longa espera em pé, numa fila desorganizada, consegui chegar ao check-in, uma grande vitória, finalmente iria despachar a bagagem de 24 kilos…uffa, é desta!!
Mas não… quando se vai para Africa as regras são outras, o inesperado é o esperado, não se pode tomar nada como garantido, bom…não fiz check-in, não estava na lista de passageiros, eu e mais dois colegas formadores estávamos em lista de espera (Isso existe? Perguntava eu para mim mesma). Lá voltámos com a tralha, por entre os pesos pesados do pessoal que se amontoava nas filas com objectos tão estranhos como uma tábua de passar a ferro, um pneu de tractor, um micro-ondas, um carrinho de bebés.

Lá encarámos uma nova fila, a fila dos “lista de espera” da TAAG. Comecei a desesperar confesso, o coração começou a bombear mais sangue e a respiração depressa se elevou…lá me lembrei dos treinos de respiração do meu querido Dr.Jody…vamos por a barriga a dançar, para ver se acalmamos e assim foi…num ápice voltei à carga, já consciente de que teria de ultrapassar esta situação, junto da fila esperava-me o meu amor que também me deu força e que me olhou com aquele olhar de: “I Told you so” – não seria nunca fácil…raramente é…a selva abre as suas portas logo no aeroporto de Lisboa 

Quais são as regras de Luanda? Connections…pois bem toca de telefonar ao pessoal poderoso, aos deuses. Em 10 minutos tínhamos ao telefone o Deus da TAAG que fez um upgrade dos nossos bilhetes de económica para executiva…uau que prenda boa pelos 70 minutos que estivemos em pé em filas infindáveis, ‘bora lá para a classe executiva.
Mas não se consegue gozar o bombom se não se tiver sentido o amargo primeiro, então uma nova fila de 50 minutos esperava por nós, a nova fila do check-in… pernas começam a doer, joelhos rígidos, coluna dorida…ui que calor…ai que chatice, não tenho posição. Pois é…mas é que nem o treino intensivo dos concertos bonjovianos me serviu para aguentar estes três momentos de espera…o corpo já não aguenta!! Mas que bem sabe agora estar com as perninhas levantadas e com uma almofadinha nas costas…envolvida de um cobertor quentinho. Valeu a pena…terem-se enganado nos bilhetes, ter esperado tanto tempo, agora são 7 horas de boa comida (camarão, saladinha, lombo de vaca, boas bebidas e fruta fresca, paninhos para lavar as mãos, toalhinhas de mesa, upa upa), diversão cinematográfica e acima de tudo conforto e perfume…sim porque cheira bemmmm!!! È verdade, a casa de banho até tem um ramo de flores naturais que cheiram lindamente…ai maravilha, estou literalmente no ceú 

Esta viagem vai ter muitos percalços, não vai ser fácil. Mas no meio há-de ter prendinhas como esta que irão cair muito bem 

Quando chegar a Luanda esperam-me outras três horas intensas de espera, vistorias, duvidas, questões, desorganização e provavelmente … 20 dólares a menos, para me safar de algumas chatices morosas. Depois irei seguir para o famoso hotel fórum…de famoso não sei se tem, mas é já conhecido por ser o poiso dos formadores e consultores da Logistel…é ‘pra lá que vou, e amanhã bem cedo irei de carro (Jipe) para o Lobito em Bengela…são 8 horas de viagem, poderíamos ir de aviao mas é domingo…não iríamos fazer grande coisa para passar o tempo por isso porque não ir ver as vistas maravilhosas que nos entretêm entre Luanda e Bengela? Vamos lá a isso e comer as primeiras especiarias de Africa nos restaurantes que se demarcarem pelo caminho…

Bom, são 15 horas agora…não há muito mais para dizer, sinto-me bem, por isso vou continuar a divertir-me. Agora é a vez de Jack Bauer tomar a liderança…vou acabar a 2ª season do 24H, 4 episódios viciantes até ao destino Luanda, esperemos que as baterias ajudem 

Aqui vou eu a 900km/h…até já, vemo-nos em terras africanas.